| Argemiro Pertence | |
| 01-Abr-2009 | |
A mobilidade urbana é o objetivo da interação dos deslocamentos de pessoas e bens entre si e com o próprio espaço das cidades. Isso implica em que o conceito de mobilidade urbana ultrapassa o do deslocamento de veículos ou do conjunto de serviços operados para permitir estes deslocamentos. Planejar a mobilidade urbana é, portanto, mais que cuidar de transporte e trânsito. Já a mobilidade urbana sustentável é o resultado de um conjunto de políticas de transporte e circulação que busca permitir o acesso amplo e democrático ao espaço das cidades, através da valorização dos modos de transporte coletivo e não motorizados de modo efetivo, socialmente inclusivo e ecologicamente sustentável. Uma política mobilidade urbana consciente deve, portanto, dar destaque aos seguintes aspectos, dentre outros: enfatizar o uso do transporte coletivo e não do transporte individual, diminuir a poluição ambiental gerada pelos meios de transporte, diminuir o número de acidentes de trânsito, incentivar a utilização de combustíveis não poluentes e renováveis. No Brasil, a Política Nacional de Mobilidade Urbana Sustentável é coordenada pelo Ministério das Cidades que orienta os Planos Diretores municipais e a legislação urbanística, tendo em conta as seguintes diretrizes: diminuição do número de viagens motorizadas, revisão do desenho urbano, desenvolvimento de meios não motorizados de transporte, reconhecimento da importância do deslocamento dos pedestres, proporcionar mobilidade às pessoas com deficiência e restrição de mobilidade, priorização do transporte público coletivo, investimento em passeios (calçadas), em arborização urbana, equipamentos públicos com acessibilidade a todos os cidadãos e construção de espaços mais acessíveis (sem barreiras arquitetônicas). Pois é justamente neste contexto que o governo brasileiro decide estender, por mais três meses, a redução tributária sobre a venda de veículos automotores, sob a alegação de que é preciso gerar empregos. É verdade que compete ao governo adotar medidas para preservar ou mesmo ampliar o nível de emprego no país, mas jamais adotando medidas que contradizem frontalmente os planos de seu governo. Nada mais incoerente que um governo ter uma Política Nacional de Mobilidade Urbana Sustentável primorosa em termos de retórica e à primeira crise esta política é jogado no lixo. Como coadunar os princípios de desestímulo ao transporte individual nas grandes cidades com o incentivo à compra de veículos automotores que contribuirão decisivamente para tornar ainda mais congestionadas as nossas metrópoles? Nada contra o governo gerar empregos, mas poderia promover sua criação em novos setores. A atual crise já estava prevista há alguns anos. Qualquer governo medianamente informado sabia que nuvens cinzentas tingiam o horizonte da economia. Portanto, nada mais normal do que adotar comportamentos preventivos visando minimizar seus impactos. Outra questão que se choca com Política Nacional de Mobilidade Urbana Sustentável é a exploração de petróleo na chamada camada Pré-Sal, na escala até aqui divulgada. Evidentemente não se advoga ainda o abandono do petróleo como fonte de energia em favor de um modelo mais limpo. Entretanto, a situação já nos obriga a desenvolver uma matriz energética cada vez menos dependente do petróleo e mais lastreada em fontes de energia renováveis e limpas. No entanto, o que se vê no Brasil é a estagnação do quadro. A adição de álcool à gasolina parou em 25% e o biodiesel é uma mistura que contem apenas algumas gotas de óleos vegetais por litro de diesel mineral. Também nesta questão o Brasil ainda não deu certo. |
segunda-feira, 27 de julho de 2009
Mobilidade urbana, consumo de energia e agressão ambiental
O advento da energia solar
| Argemiro Pertence | |
| 16-Abr-2009 | |
Energia solar é uma fonte renovável e ambientalmente não agressiva. Diferente dos combustíveis fósseis (petróleo, gás e carvão), a energia solar está disponível em todos os lugares de nosso planeta. Além disso, esta energia é gratuita e imune às elevações de preços e à especulação. A energia solar pode ser empregada de diversas formas: para fornecer calor, iluminação, trabalho mecânico e eletricidade. A luz solar é convertida em eletricidade pelo o uso de células fotovoltaicas. Estas células são equipamentos semicondutores, em geral feitos de silício e que não contém líquidos, produtos corrosivos e partes móveis. Elas geram eletricidade enquanto a luz do sol incidir sobre elas, exigem pouca manutenção, não poluem e operam em silêncio, tornando a energia solar o mais limpo e seguro processo para geração de energia. As células fotovoltaicas têm variadas dimensões, porém a maioria tem 10 cm x 10 cm e geram cerca de meio Volt de eletricidade. Estas células são agrupadas em módulos ou painéis para que possam produzir maiores voltagens e mais elevadas potências. Um módulo de 12 Volts, por exemplo, dependendo da potência a ser produzida, poderia ter entre 30 e 40 destas células. Um módulo para produzir uma potência de 50 watts mede aproximadamente 40 cm X 100 cm. Atualmente, os painéis fotovoltaicos têm baixa eficiência, convertendo apenas de 12 a 15% da energia solar incidente em eletricidade. Porém, pesquisas em laboratório já alcançaram rendimentos próximos a 30% e este número tende a crescer. Os módulos fotovoltaicos geram corrente contínua, o tipo de corrente produzido pelas baterias. Embora as lâmpadas comuns operem com corrente contínua, a maioria dos aparelhos elétricos precisam de corrente alternada (em 110 ou 220 V). Para superar esta situação existem equipamentos conhecidos como “inversores” que transformam a corrente contínua em alternada. Os painéis fotovoltaicos geram eletricidade apenas quando a luz solar incide sobre eles. Por isto, ao dimensionar um sistema isolado, a geração de energia e a capacidade de armazenamento das baterias deveriam ser capazes para operar equipamentos à noite ou em dias nublados quando a incidência de luz solar é menor. Para calcular a quantidade de energia requerida, multiplica-se a potência de um aparelho elétrico (em watts) pelo número de horas do dia que este será utilizado. Por exemplo, uma lâmpada fluorescente de 17 watts acesa durante 18 horas do dia vai consumir 306 watt.hora (0,306 quilowatt.hora). Para obter a potência total faça este cálculo para todos os aparelhos e, ao final, some-os. O sistema fotovoltaico deverá suprir, ao menos, tantos quilowatt-hora (sob diferentes condições de iluminação) quanto o total de sua demanda. Ao dimensionar um sistema fotovoltaico, deve-se considerar ainda sua facilidade para expansão visando atender alguma demanda adicional não planejada, tal como a compra de um novo aparelho, um computador, etc. Os sistemas fotovoltaicos podem fornecer potência a qualquer equipamento elétrico, mas não são recomendados para aquecedores elétricos de água ou similares. Os aquecedores solares aquecem água mais rápida e eficientemente que qualquer sistema fotovoltaico. Os aquecedores solares convertem até 60% da energia solar incidente em calor ao passo que as células fotovoltaicas ainda se limitam a converter entre 12 a 15% da energia solar em eletricidade. O custo básico de um painel fotovoltaico pequeno de 50 watts, um inversor de baixa potência e uma bateria é de cerca de R$ 1500,00. Este sistema pode alimentar três lâmpadas de alta eficiência (luz fria), um aparelho de TV pequeno e uma bomba d’água. Um sistema de maior potência, de, digamos, 600 watts, pode alimentar – não ao mesmo tempo - diversas lâmpadas frias, um aparelho de TV stereo, um forno de microondas e uma bomba d’água. Seu custo situa-se na faixa de R$ 16000,00. Entretanto, as pesquisas, as melhorias técnicas e o emprego crescente desses sistemas farão com que esses custos se reduzam e, em consequência, cresça a aplicação deste modelo de geração de energia de baixo custo e ambientalmente correta. |
A ameaça do Pré-sal
| Argemiro Pertence | |
| 13-Jun-2009 | |
É surpreendente ver tanta gente séria cantando louvores aos quatro ventos à descoberta do Pré-sal pela Petrobrás. Mais surpreendente ainda é ver associação feita entre os esforços para que a Petrobrás seja a única exploradora dessas reservas com a campanha, feita nos anos 50 do século passado, cujo lema era “o petróleo é nosso”. Entre uma e outra já se passaram cerca de 60 anos e o mundo hoje é outro, bem diferente daquele. O mundo dos anos 50 do século passado não tinha noção da gravidade da agressão ao planeta causada pelo uso intensivo de combustíveis fósseis. E foi essa ignorância que nos trouxe ao quadro atual, marcado pela deterioração visível das condições climáticas e pela agressão ambiental. Embora não se tenha uma avaliação final confiável do volume de óleo e gás armazenados nesses campos, é impensável que gente minimamente responsável advogue a tese da exploração, produção e consumo dos combustíveis do Pré-sal sem levar em conta seu impacto adicional e nocivo sobre o planeta e seu meio ambiente. A própria Petrobrás divulga na sua página na Internet que, de todo o petróleo refinado por ela, no mínimo 70% são destinados à queima (gasolina, diesel, querosene de aviação e parte do óleo combustível) e, em consequência, à produção do gás carbônico, o principal agente causador do efeito estufa (ver figura abaixo). Torna-se inegável que o negócio da Petrobrás e de outras empresas de petróleo é sujar o meio ambiente Fonte: Petrobrás Outro dado importante é o impacto do uso de derivados de petróleo para movimentar veículos automotores, particularmente nos espaços urbanos. Curioso é que, no caso do Brasil, o alarme para esta questão tenha sido dado pelos inspetores da FIFA que vieram ao Brasil para avaliar as cidades-candidatas a serem a serem escolhidas como sub-sedes para a Copa do Mundo de 2014. Uma das questões por eles avaliadas foi a chamada “mobilidade urbana”, definida como a capacidade das cidades em permitir o escoamento de trânsito de veículos. Nesse aspecto houve sérias restrições a algumas de nossas metrópoles, o que vai obrigar os administradores públicos a fazer vultosos investimentos em novas vias urbanas para atender as exigências da FIFA. É lamentável que esses mesmos administradores nunca tenham percebido que as populações dessas cidades perdem diariamente preciosas horas de suas vidas presas no trânsito caótico de nossas grandes cidades. Foi preciso que agentes externos fizessem a crítica para que alguma coisa venha a ser feita. Na contra-mão desses fatos, as autoridades brasileiras reduziram a carga tributária sobre os veículos de passeio visando aumentar as vendas, ignorando os congestionamentos urbanos e a poluição ambiental daí resultantes. Resta evidente, portanto, uma total falta de critérios na política brasileira em relação ao petróleo aqui existente. Ademais, em função do crescimento acentuado da informação e da consciência ambiental de parcelas cada vez maiores da população a produção de petróleo sem considerar seu impacto ambiental está tornando as empresas petrolíferas cada vez mais antipáticas. |
Petróleo e caos urbano
09-Jul-2009
A falta de mobilidade urbana nas grandes metrópoles do chamado Terceiro Mundo é hoje algo inimaginável sob o ponto de vista da racionalidade e do planejamento. O mar de veículos que se arrasta preguiçosamente pelas ruas e avenidas observado especialmente nos períodos de grande movimento é fruto do consumismo e, sobretudo, da falta de competência e de visão administrativa das autoridades políticas locais.
Em muitas destas sociedades ser proprietário de um veículo próprio está associado ao sucesso individual. Esta relação é ressaltada incansavelmente pela propaganda na mídia, o que quase obriga qualquer cidadão a comprar um carro, mesmo que não tenha condições para tanto e mesmo que o espaço físico onde vive não comporte mais um veículo sequer.
Infelizmente, este é o caso do Brasil, onde temos cerca de oito ou nove metrópoles com essas características. Foi justamente neste cenário que o governo brasileiro decidiu, no final de 2008, reduzir a carga tributária incidente no preço dos veículos de passeio e oferecer melhores condições de crédito para, segundo ele, preservar empregos e renda. Em princípio, nada errado com esta iniciativa. Entretanto, uma análise mais aprofundada da questão observando o quadro sob outro prisma torna evidente a inadequação desta medida. Cerca de 85% dos veículos saídos das fábricas têm como destino as grandes cidades.
Segundo dados da ANFAVEA (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), nos cinco primeiros meses de 2009 foram produzidos 1.186.973 veículos no país, sendo cerca de 1.009.000 destinados às grandes cidades, o que resulta num acréscimo de cerca de 6.800 novos veículos por dia nesses espaços urbanos (ver quadro abaixo).
Brasil - Produção Mensal de Veículos
Gasolina 19.501 25.044 26.872 28.575 30.990 130.982
Flex 151.553 163.523 228.381 206.177 217.339 966.973
Álcool 0 0 0 0 96 96
Diesel 13.995 15.812 19.623 18.986 20.506 88.922
Total 185.049 204.379 274.876 253.738 268.931 1.186.973
Fonte: ANFAVEA
Por uma questão acidental, o quadro da ANFAVEA mostra que cerca de 80% desses veículos são do tipo “flex”, isto é, podem ser movidos a álcool, gasolina ou qualquer porcentagem de mistura entre esses dois combustíveis. Além disso, os atuais preços do álcool tornam mais econômico o seu uso, fato que reduz as emissões de gases de efeito-estufa gerados pela combustão de derivados de petróleo.
quinta-feira, 16 de abril de 2009
Até quando o mundo vai sustentar a farra dos donos do petróleo?
Não custa relembrar que o custo de produção do petróleo, incluindo os custos de descoberta e taxas, não passa de US$ 6 por barril na maioria dos países da OPEP. Portanto, mesmo após a acentuada queda dos preços, o lucro dos produtores ultrapassa os 500%. Quando preço estava a US$ 147, este lucro era de 2300%! Nada mais imoral!
Não é possível nem justo que o mundo todo se torne refém de uma dúzia de mega-corporações privadas que se utilizam da fachada da OPEP para se apossarem de uma parcela tão significativa da renda mundial, concentrando riqueza e poder de forma tão desmesurada. Não se trata de isentar os governos dos países da OPEP de culpa, evidentemente. Os países da OPEP formam um iníquo cartel isento de qualquer controle que ainda se dá ao luxo de acobertar a ganância de empresas privadas com sede no chamado “primeiro mundo”, a saber: Shell, Exxon Mobil, Total, Chevron, British Petroleum, Elf Aquitaine e outras menos cotadas.
O curioso é que esta situação já perdura quase quatro décadas. Teve início em 1973, durante a guerra do Yom Kippur – entre Israel, de um lado e Síria e Egito de outro. Naquela ocasião, o preço do barril quadruplicou num intervalo de apenas três meses (de US$ 3 para US$ 12), ao passo que o custo de produção manteve-se estável. Esta foi uma forma de os países árabes chantagearem o ocidente que apoiou Israel no conflito. Esqueceram-se os árabes que as grandes companhias ocidentais detinham concessões para exploração e produção no Oriente Médio e, portanto, se beneficiaram por tabela com a elevação do preço do óleo.
Um novo choque nos preços do petróleo ocorreu em 1979, com a eclosão da revolução dos aiatolás, no Irã, que resultou da deposição do Xá Reza Pahlevi e na paralisação da produção do país. Vale lembrar que o Irã é o segundo produtor mundial de petróleo, atrás apenas da Arábia Saudita. Naquela oportunidade, o preço do petróleo saiu de US$ 12 o barril para mais de US$ 35 (em valores da época).
De lá para cá, o preço do petróleo tem flutuado livremente ao sabor dos ventos, porém sempre preservando as enormes margens de lucro dos produtores, sejam eles empresas estatais dos países da OPEP ou as mega-corporações privadas com sede nos países do ocidente.
É estranho que nada demonstre com mais clareza a ineficácia do mercado para regular preços do que o caso do petróleo. Não se pode negar o peso do cartel da OPEP – os países-membros da OPEP produzem cerca de 40% da demanda mundial – nos negócios petrolíferos. Há, entretanto, outros atores de peso no cenário que poderiam muito bem intervir para reduzir a dependência do cartel. Do lado da oferta há a Rússia, Canadá, Noruega e outros produtores de peso. Do lado da demanda soa estranho como os EUA, os países da Europa Ocidental e o Japão, todos grandes importadores de petróleo, se quedem passivos ante o cartel sem buscar alternativas para sua dependência. A única explicação que me parece plausível é que esses países buscam, com sua passividade, favorecer suas empresas transnacionais nos negócios com óleo é gás natural, assim
como os países ricos buscam favorecer seus bancos no mercado financeiro global.
A conclusão a que se chega é que o sistema capitalista é inerentemente produtor de injustiça. Ele estabeleceu uma civilização baseada no consumo maciço de energia e tornou a principal fonte de energia que aciona o sistema um obstáculo ao seu uso, através de seu preço manipulado por um cartel. Um sistema justo e socialmente sustentável já teria partido para outro modelo de desenvolvimento, livrando toda a humanidade do ônus de assegurar o enriquecimento dos acionistas de quinze ou vinte empresas.
Panorama petrolífero recente
• Três novas empresas fazem agora parte do grupo: Uzbekneftegas, do Uzbequistão, a CNOOC, da China e a Kazmunaigas, do Casaquistão – todas sob controle estatal;
• A CNPC (estatal chinesa) saltou da sétima posição para a quinta, superando a British Petroleum, a Shell e a ConocoPhilips, todas privadas;
• A estatal russa Rosneft teve o maior salto: passou da 24ª para a 16ª posição no ranking;
• A produção total de gás natural do grupo cresceu cerca de 6% ao passo que a produção de petróleo permaneceu estável.
No conjunto das 50 maiores empresas, 18 são inteiramente de propriedade estatal, 8 têm seu capital total majoritariamente sob propriedade do estado.
Outro fator agravante no caso da Petrobrás é o crescimento das reservas brasileiras - especialmente na chamada camada pré-sal - que é expressivo, tornando o setor privado sócio majoritário deste patrimônio.
quarta-feira, 8 de abril de 2009
A Petrobrás já foi melhor em planejamento
| Petrobrás - Metas Corporativas | ||||
| Indicadores | Realizado 2008 | Metas 2013 | Previsão 2015 | Previsão 2020 |
| Produção de Óleo e Gás Natural - Brasil (boed)(*) | 2.176.000 | 3.310.000 | 4.140.000 | 5.100.000 |
| Produção de Óleo e Gás Natural - Total (boed)(*) | 2.400.000 | 3.651.000 | 4.626.000 | 5.732.000 |
| Carga Fresca Processada - Brasil (bpd)(**) | 1.859.000 | 2.270.000 | - | 3.012.000 |
Fonte: Petrobrás – Plano de Negócios 2009-2013
(*) barris de óleo equivalente por dia;
(**) barris de óleo por dia
O que preocupa é ausência de menção à agressão que o petróleo tem causado ao meio ambiente ou a timidez com que este tema é abordado num plano de tão largo alcance no tempo. Naturalmente, ninguém advoga uma radical e imediata eliminação do petróleo como fonte de energia primária, especialmente na matriz de transportes. Todavia, um processo responsável visando sua substituição gradual já deveria estar em andamento, já que os prejuízos causados ao planeta e a seus habitantes são hoje consensualmente reconhecidos. Um simples análise do uso que se faz no Brasil (e no mundo não é muito diferente) permite perceber, com um pouco de raciocínio lógico, a extensão dos males causados pelo petróleo e seus derivados. No Brasil, conforme quadro abaixo, 56% do petróleo consumido é queimado em motores de veículos automotores (sob a forma de óleo diesel e gasolina). É fato reconhecido, mas pouco divulgado, que esses motores apresentam indicadores de eficiência ridículos ou mesmo inaceitáveis no momento tecnológico que a humanidade vive hoje – da ordem de 25 a 27%. Ou seja: cerca de 75% da energia térmica gerada pela combustão são desperdiçados. No caso dos motores a diesel esta eficiência é levemente maior – na faixa de 33 a 35% - em função da maior temperatura em que se dá a combustão. Mesmo assim, o desperdício alcança alarmantes 65% da energia fornecida ao motor.
| Petrobrás - Perfil de Refino | |
| Óleo Diesel | 37% |
| Gasolina | 19% |
| Óleos Combustíveis | 15% |
| Nafta e Querosene de Aviação | 12% |
| Outros | 16% |
Fonte: www.petrobras2.com.br
