sábado, 17 de maio de 2008

Petróleo, mercado e liberdade

Muito se tem afirmado que o “livre mercado” é a ferramenta mais eficiente para suprir uma sociedade com produtos de qualidade, na quantidade requerida e aos menores preços para ela. Vale a pena verificar a validade desta afirmação no caso do petróleo. Para se ter uma idéia mais precisa acerca desta questão, vamos conhecer um pouco sobre a formação do preço do petróleo conhecendo os custos incorridos na sua pesquisa e produção para que possamos aquilatar a validade da intervenção do mercado neste setor, responsável por cerca da metade da energia consumida no nosso planeta:

1. O custo de exploração médio do petróleo no mundo é da ordem de US$ 4 por barril. Em algumas áreas, esse custo cresce em função de condições particulares da área explorada (profundidade e dimensões do reservatório, exploração no mar ou em terra, etc.). No Oriente Médio, esse custo fica abaixo de US$ 2 por barril. No Brasil, na Bacia de Campos, este valor pode chegar até a US$ 5 por barril;

2. Além do custo de exploração ou custo de descoberta, há que se considerar também o custo de produção ou custo de extração. O custo de extração médio mundial situa-se na faixa dos US$ 4,20 por barril, incluindo os impostos. Na Europa Ocidental, especificamente no Mar do Norte, este valor chega US$ 5.50 por barril com impostos, enquanto que no Oriente Médio ele não passa de US$ 4 por barril (US$ 2.50 de custo efetivo mais US$ 1.50 de impostos);

Somando-se estas duas parcelas tem-se um custo total para a oferta de um barril de petróleo na casa de US$ 8.20 por barril, em média, ou de US$ 10,50 por barril, no máximo. Quando comparamos este custo com o preço de mercado atualmente praticado – US$ 60.00 por barril - descobrimos estarrecidos que o preço de mercado do petróleo é 6 a 7 vezes maior que seu custo de produção. Em outras palavras, o lucro dos produtores situa-se na faixa de 600 a 700%!

Esta constatação joga por terra a propaganda quase religiosa feita pelos aurautos do mercado e de sua “mão invisível”. Em sã consciência, qualquer ser humano, medianamente informado, acredita que a margem de lucro dos produtores de bens e serviços, mesmo neste capitalismo selvagem em que vivemos, equivale a uma fração do custo de produção.

Todavia, os defensores do mercado nos impõem uma outra variável a influenciar os preços do petróleo – a “lei da oferta e da procura”. Por esta “lei”, os bens e serviços muito demandados pela sociedade têm seu preço inflado para “compensar” seus produtores pela “nobreza” de sua tarefa. Ocorre que, dentre os bens de alta demanda estão, além do petróleo e do gás natural, os medicamentos, os alimentos e os serviços de saúde e de educação.

Por serem altamente demandados, estes bens e serviços têm seus preços elevados e colocados fora do alcance da maioria das pessoas de nossa sociedade. Os cartéis para a produção de bens e serviços essenciais usam sua liberdade “de mercado” para impedir e bloquear o acesso de significativo número de pessoas a eles. No fim das contas, o mercado serve apenas para selecionar quem pode ou não ter acesso a determinado bem e serviço.

Resta muito evidente que o chamado “livre mercado” não passa de uma farsa perpetrada por grandes grupos de interesses econômicos, financeiros e políticos para negar a liberdade aos menos aquinhoados segundo os padrões desse sistema.

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